sábado, 8 de março de 2014

300: A Ascensão do Império (“300: Rise of an Empire”)

Quase que 02 anos depois, resolvo retornar a escrever no Cinefacts. Afastei-me por todo esse tempo, pois recebi desafios que me impossibilitaram de dedicar tempo às resenhas dos filmes que tanto gosto de assistir.

O filme escolhido para o retorno foi “300: A Ascensão do Império”, 2º filme da franquia “300”. Escolhi este filme, pois a data de estréia estava marcada para depois da exibição do Oscar e era um filme que estava com uma expectativa muito grande. Esse foi meu erro.

Vamos ao que interessa, neste caso, o filme em si.

Por Caio Abreu


Em 2006 chegou aos cinemas “300”, filme baseado na história em quadrinhos homônima de Frank Miller sobre a Batalha das Termópilas. Com uma fotografia de encher os olhos, slow motion de tirar o fôlego, frases de efeito que logo conquistaram todo mundo, cenas de ação que todo marmanjo tinha prazer em ver e soldados sarados que eram a única explicação para arrastar o público feminino para as salas de cinemas a fim de testemunhar banhos de sangue por um bom tempo durante a exibição do longa, o filme logo caiu no gosto do público. Devido ao sucesso, logo se falou em uma possível sequência, com o personagem Xérxes (Rodrigo Santoro) como protagonista, na qual seria um prelúdio ao primeiro filme e mostraria a história de Xérxes, como ele, buscando vingança pela morte do pai por um ateniense, se tornou o maior conquistador de reinos de todos os tempos, passando a considerar-se como Deus-Rei. Passaram-se quase 08 anos e o filme que chega as telonas do mundo tem outro nome, não mais “Xérxes” como esperada e sim “A Ascensão do Império”, e roteiro. Xérxes é deixado de lado e o foco passa a ser Temístocles e Artemísia. O primeiro é o ateniense que matou o Rei Dario, pai de Xérxes e causou todo o ódio do príncipe persa em busca de vingança. Já a segunda é General de Guerra de Xérxes.


Pra começar, o roteiro é completamente vazio, raso e preguiçoso. A história se passa antes, durante e depois da Batalha de Termópilas, onde os 300 espartanos resistiram bravamente contra o massivo exército do rei Xérxes. O problema é que esta cronologia não foi bem administrada. Sem falar o decorrer do filme com as cenas entre exército ateniense e persa são chatas e demoradas. Apenas no início do filme, quando podemos entender muito bem o excelente personagem Xérxes e o final do longa, os últimos 10min do filme, é que realmente teve algo bacana de se ver e entreter-se. As cenas de ação continuam com uma boa fotografia, não tão boa como a do primeiro, muita câmera lenta para aumentar a carga dramática e muito sangue computadorizado. Só que o sangue está mais falso que nunca. Tentando explorar a tecnologia 3D, lógico que afim de arrecadar uma maior bilheteria, o excesso de sangue gráfico jorrado na tela só piora a situação.

A única personagem bem trabalhada no filme é a Artemísia (Eva Green). A personagem foi muito bem construída e personificada pela atriz. Acredito que ela seja um bom motivo, se não for o único, para dispormos do nosso tempo para ir assistir ao filme no cinema. Sério, o personagem Temístocles vivido pelo ator Sullivan Stapleton, não tem 1/5 do carisma de Leônidas (Gerrard Butler). Nem nos dramáticos discursos motivacionais para fazer com que o exército grego decida encarar o persa, o ator convence. Assim, todo o crédito para segurar o filme recai sobre Eva Green.


Enfim, perdeu-se uma excelente oportunidade de explorar um personagem incrível como Xérxes e mergulhou-se no nada novo modelo de Zack Snyder (que desta vez assinou a produção e o roteiro) do primeiro longa que simplesmente não conseguiu trazer diferencial algum, pois se trouxe, foi pra pior. “300: A Ascensão do Império”, que até o momento não sei que império é esse, acabou que somou na estatística de filmes que pode-se considerar-se fracasso no que se diz respeito a continuação de uma franquia.

Em minha opinião o filme vale 2 de 5 estrelas.



Assista ao trailer de "300: A Ascensão do Império":



domingo, 25 de março de 2012

Jogos Vorazes (The Hunger Games)





Por Caio Abreu 


Quando uma adaptação de um Best Seller para os cinemas é anunciada, os fãs logo começam a se preocupar com a possível decepção eminente. Com o passar do tempo, as imagens oficiais, teasers e trailers vão sendo liberados, empolgando os fanáticos fervorosos. Quando a produção finalmente estréia nos cinemas, a raiva por presenciar um filme infiel a obra original toma conta do público. Bom, isso não acontece com Jogos Vorazes, filme que adapta a obra de Suzane Collins. Confesso que li o livro e estava bastante preocupado com resultado final do longa, principalmente quando o estúdio responsável começou a afirmar que The Hunger Games seria o sucessor dos blockbusters Harry Potter e Saga Crepúsculo. Não me espantarei se realmente isso acontecer. 



Jogos Vorazes se passa em um futuro distante, depois da extinção da América do Norte, sua população é dividida em 13 distritos. Anualmente, dois jovens representantes de cada distrito são sorteados para participar obrigatoriamente de um reality show mortal, onde apenas um dos 24 jovens, volta vivo. Katniss Everdeen é um deles, que se voluntaria para participar da competição para que sua irmã, sorteada para o torneio, não tenha uma morte trágica na arena.




O diretor do longa é Gary Ross (Pleasantville - A Vida em Preto e Branco). Afirmo que Ross fez um ótimo trabalho. Boa movimentação de câmera, muitas cenas são com câmera de mão mesmo. A opção por não focar nas mortes, não utilizar cenas chocantes utilizando de sangue e morte para gerar ação, as cenas tensas com ausência de efeitos sonoros, tudo muito bem dirigido. Com uma direção precisa, o diretor proporciona um ótimo olhar de todo processo que compõe os jogos. O roteiro de Billy Ray, co-roterizado pelo diretor Gary Ross, decide por também mostrar a visão dos idealizadores quanto aos acontecimentos da história, o que não acontece no livro. No filme, além da visão de Katniss, podemos ver o jogo de interesses dos organizadores do reality show em manipular não só os participantes, mas também a população.



O elenco escolhido foi ótimo, com a exceção de um nome. Jennifer Lawrence (X-Men: Primeira Classe) que interpreta a protagonista do longa, Katniss Everdeen, mais uma vez provou que tem talento e que é uma boa aposta da nova geração de atores. Josh Hutcherson (Minhas Mães e Meu Pai) que faz Peeta Mellark, o rapaz sorteado para também participar dos jogos, também atua bem. No elenco também estão nomes como Stanley Tucci, Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Wes Bentley, Toby Jones, Donald Sutherland e Lenny Kravitz. Este último foi a maior decepção que tive com este filme. Kravitz possui um papel importantíssimo nesta primeira história de Suzanne Collins. Cinna é o estilista de Katniss, e um dos mentores da garota. É Cinna quem prepara Katniss para o torneio. Com uma atuação medíocre, Lenny Kravitz é completamente descartável no filme.



O primeiro ato foi utilizado para mostrar a miséria que é o Distrito 12, distrito de Katniss e ao mesmo tempo compara-lo à Capital, com todo o glamour riquezas e pessoas fúteis com roupas e cabelos extravagantes. Excelente trabalho da direção de arte. Os efeitos especiais não são dos melhores, mas conseguem segurar o filme. A trilha sonora também tem um papel interessante, com características do sul dos Estados Unidos, ela embala a jornada de Katniss.



Uma mensagem política muito forte não fica nítida o suficiente por conta de todo o teor comercial empregado ao filme. O modo como a Capital impõe seu poder perante os distritos é assustador. A protagonista deixa claro não querer ter filhos, o motivo é que a mesma não quer submetê-los ao perigo de serem sorteados para participar dos Jogos Vorazes. A submissão e o medo dos distritos perante a Capital também fica claro.



The Hunger Games realmente é uma grande promessa para finalmente alguma franquia conseguir conquistar os órfãos das franquias Harry Potter e Crepúsculo. Possui ação, romance, drama. Tudo para fazer com que o público sinta empatia com os desafortunados jovens protagonistas.



Desde a estréia do primeiro trailer 7,5 milhões de cópias do livro foram vendidas. No primeiro fim de semana de exibição, o filme já chegou aos cinemas fazendo história. Arrecadando 155 milhões de dólares, o filme se tornou a terceira maior abertura do cinema e a primeira entre as estreias fora do verão norte-americano.




Assista ao trailer de Jogos Vorazes:


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Cada um Tem a Gêmea que Merece (Jack and Jill)


Por Caio Abreu

Há determinados filmes que eu não consigo compreender a razão pela qual eles foram aprovados e financiados para estrelarem no cinema. Será que o público está tão alienado ao ponto de realmente curtir certas produções de extremo mau gosto, que de forma desafiadora, são projetadas no mercado internacional? Digo desafiadora pois em minha opinião assistir esses determinados filmes é um desafio de paciência e até de respeito. Um exemplo perfeito de uma situação como essa é o novo filme de Adam Sandler, "Cada um tem a gêmea que merece".


O filme é uma comédia focada em Jack Sadelstein (Adam Sandler), um publicitário de sucesso em Los Angeles com uma bela esposa e filhos, que ano após ano teme um evento: a visita de sua irmã gêmea idêntica Jill (também Adam Sandler) no feriado de Ação de Graças. A carência e a atitude passivo-agressiva de Jill enlouquece Jack, transformando sua vida normalmente tranqüila de cabeça para baixo. O diretor é o limitadíssimo Dennis Dugan, que já trabalhou com Sandler nos filmes "Esposa de Mentirinha", "Zohan: O Agente Bom de Corte", "Os Esquenta-Banco" e "O Paizão".  



Se já não bastasse um Adam Sandler, em Jack and Jill (título original da produção), o ator inventa de atacar de Eddie Murphy e monopoliza o filme atuando tanto como Jack quanto como Jill. Sabe qual a minha opinião? O ator se acomodou e agora atua pra pagar suas contas e só. Sandler não tenta em nenhum momento atuar de uma forma interessante, convincente. Ele entra ativa o piloto automático e vai embora. Em raríssimos, quase despercebidos, momentos, ele quase, eu disse quase, consegue arrancar um tímido sorriso. Terrível, terrível, terrível. Ao seu lado, está Katie Holmes, que interpreta a esposa de Jack.



Uma terrível e nada prazerosa surpresa neste filme foi a péssima e inexplicável participação de Al Pacino. O ator interpreta a ele mesmo em situações tão bizarras que não consigo encontrar um motivo para o ator ter aceitado participar deste filme. O pior é que não foi uma simples participação especial. Pacino está em praticamente todo o filme, sendo um pretendente para a abominável Jill. A participação especial do filme na verdade é Johnny Depp, que dá o ar de sua graça em uma cena do filme. Agora um pequeno detalhe, usando uma camiseta do Justin Bieber. Sim, Johnny Depp em um filme desses e ainda usando uma camisa do Justin Bieber.



O longa é carregado de piadas clichês dignas de Adam Sandler. Tão batidas e previsíveis que não fazem o menor efeito, pelo contrário. Piadas de péssimo gosto com os Latinos são esgotadas durante o filme. O roteiro faz com que todas as situações deploráveis aconteça com Jill, seja a mesma transbordar de suor e deixar uma marca úmida no formato do seu corpo em sua cama, fazer com que um pônei desabe no chão devido ao seu peso, errar qualquer referência possível de filmes, etc. Algo que mereça ser esquecido. Com um roteiro que tenta tirar uma piada em qualquer situação possível, uma direção terrível e atores envolvidos em situações que em nada ajudam ao filme, tudo acaba sendo um desastre.



Uma situação interessante no filme é uma cena em que após ver um comercial gravado pelo personagem de Sandler, Al Pacino manda que Jack destrua o comercial, que impossibilite que ninguém veja aqui, que todas as cópias sejam destruídas.  Pois eu utilizo as falas de Al Pacino para o filme. Apague, queime, jogue fora e garanta que ninguém nunca veja esse filme. Pois garanto que eu ri 100 vezes mais escrevendo esta resenha do que assistindo ao próprio filme. Por que neste caso, literalmente, é rir pra não chorar.





Assista ao trailer de "Cada um tem a Gêmea que Merece":

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need To Talk About Kevin)



Por Caio Abreu

Desde o momento que saí da sala 01 do Cine Cultura do Liberty Mall em Brasília – DF, até agora, tento descrever o filme “Precisamos Falar Sobre o Kevin”. Talvez, a palavra mais adequada seria “tensão”.


O filme acompanha “Eva” uma mulher que coloca suas ambições e sua carreira de lado para dar a luz a Kevin. A relação entre mãe e filho é difícil desde seus primeiros anos. Quando Kevin completa 15 anos de idade, ele faz algo irracional e imperdoável aos olhos de toda a comunidade. Eva lida com seus próprios sentimentos de tristeza e responsabilidade. Evito falar dos principais acontecimentos do filme visando não desconstruir um surpreendente choque no cinema.  


Já começo afirmando que eu não li o livro que deu origem ao filme, romance homônimo de Lionel Shriver lançado em 2003. Por este motivo não farei comparação alguma.
We Need To Talk About Kevin é o tipo de filme em que prende sua atenção do primeiro ao último minuto de projeção. As cenas iniciais já são intrigantes. As seguintes questionadoras e as últimas, perturbadoras. Confesso que eu passei o filme inteiro tenso, sempre questionando a mente do Kevin e mais ainda a da mãe, Eva, interpretada por Tilda Swinton.

O elenco é excelente. O jovem Ezra Miller, escolhido para viver o Kevin adolescente, está ótimo. Enigmático, incompreendido e perturbado. O experiente John C. Reilly, com mais de 22 filmes no seu currículo, trouxe o tom perfeito para “Franklin”, pai de Kevin e marido de Eva, sendo o pai “cego” que não consegue ver os problemas enfrentados pela mulher. Tilda Swinton  está fantástica. A atriz merece todos os prêmios possíveis. Swinton faz com que o público tenha compaixão pela sua personagem, e não a julgue mesmo com certas ações que nenhuma mãe é capaz de compreender. Sua atuação foi tão impar que a atriz foi indicada a vários prêmios como Bafta, National Board of Review, Screen Actors Guild (o SAG) e ao Globo de Ouro.


A diretora, Lynne Ramsay, tomou boas decisões para filmar o drama vivido por Eva. Com o ótimo roteiro de Jennifer FoxLuc RoegRobert Salerno, as informações de um estranho relacionamento entre filho e mãe se misturam a um presente depressivo e inexplicável. Não entendeu? Vou explicar. O filme começa mostrando Eva em uma casa completamente bagunçada. Vivendo de forma depressiva e desleixada, morando só e sendo julgada pela comunidade. Ao passo que o presente de Eva é exposto, flashbacks são compartilhados com o público. Aos poucos o expectador vai recebendo as peças do complexo quebra-cabeça e compreendendo a magnitude do inferno que é a vida de Eva. A intercalação de fatos faz com que o público receba em pequenas doses as informações. Isso faz com que todo o filme seja apreciado lentamente. Por isso a tensão.


O silêncio é um instrumento essencial no filme. Em diversas cenas, ele tortura o público. Na fotografia, as cores vermelho e amarelo se alternam junto aos acontecimentos da história. Muitos close-ups foram utilizados, seja em um olho, em uma boca, em uma textura sobre a mesa ou até em uma fruta ao ser mordida. Tudo para intensificar a tensão. A trilha sonora confunde as emoções.


"Precisamos Falar Sobre o Kevin" poderia ser descrito como um suspense com doses cavalares de drama. Sincero, tenso, questionador, cruel, brutal, um soco no estômago de qualquer ser humano. Merece ser visto por todos.


Assista ao  trailer de "Precisamos Falar Sobre o Kevin":

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Os Descendentes (The Descendants)



Por Caio Abreu

Toda vez que vejo que a Fox Searchlight Pictures está com um novo filme, eu já me animo, pois é quase certo que terei um excelente filme para ver no cinema. Foi assim com Pequena Miss Sunshine, Juno, O Lutador, 500 dias com ela, Coração Louco, 127 Horas, Cisne Negro, A Árvore da Vida, dentre outros.


A nova produção do estúdio se chama Os Descendentes, é baseado no primeiro livro de Kaui Hart Hemmings e conta a história de Matt King  (George Clooney), um advogado havaiano que se encontra em meio a uma crise familiar. Sua esposa, Elizabeth King (Patricia Hastle) entra em coma após um acidente de lancha. Enquanto sua família espera por um sinal de vida, sua filha, Alexandra King (vivida por Shailene Woodley) conta ao pai que sua mãe o traía e não o amava mais. Além disso, Matt é o responsável legal por milhares de hectares de seus antepassados, os quais receberam propostas de compra. Seus primos estão o pressionando para que ele venda os hectares avaliados em meio bilhão de dólares. Com a filha mais velha confusa e magoada, e a caçula rebelde em plena puberdade, Matt precisa se adaptar aos recentes eventos e administrar todos os problemas por que está passando.


Os Descendentes pode ser considerado o filme “alternativo” deste ano para concorrer ao Oscar. Se você pegar a lista de indicados, você vai ver que não há muitos favoritos aos prêmios, isso devido ao escasso número de pesadas produções este ano. Por isso, Os Descendentes já levou um Globo de Ouro por “Melhor Drama” e outro por “Melhor Ator”.  Não estou dizendo que o filme é fraco e só ganhou os prêmios por não ter concorrência. O longa é simples e muito bem feito.


Posso afirmar que George Clooney atuou muito bem neste filme. Não se deteve apenas ao peso do seu nome e ao charme habitual já esperado pelo público feminino. Aqui ele simplesmente se entregou aos dilemas de Matt King e junto ao personagem, caminhou para uma autodescoberta. Ele merece um prêmio por “Melhor Ator”? Sim. A atuação de Clooney realmente me agradou, levando em consideração seus concorrentes, não irei me surpreender com um Oscar, após já ter recebido um Globo de Ouro. Só a cena em que o personagem sai correndo pelo seu bairro já garante boa parte de um prêmio. A eficiência do trabalho do ator neste filme é facilitada pelo trabalho dos coadjuvantes. As duas atrizes que interpretam suas filhas estão ótimas. O sogro arrogante, interpretado pelo eficiente Robert Forster, a curtíssima, porém ótima participação Judy Greer, Matthew Lillard (o salsicha de Scooby-doo) e Nick Krause como o “retardado” Sid, todos só ajudam a formar o excelente elenco de Os Descendentes.


O drama não é aquele forçado, feito só pra você encharcar sua camisa com lágrimas. É emotivo, sim, mas esta emoção vem naturalmente ao longo da produção. Momentos estes que são intercalados com leves respiros cômicos. O Roteiro uma parceria entre o próprio diretor Alexander Payne, com Nat FaxonJim Rash, foi muito bem escrito. A direção de Payner, assim como todo o filme, é simples e eficiente.  Os takes em locações do Havaí só melhoram o trabalho do diretor.



Os Descendentes é um filme que merece ser visto nos cinemas. É um filme de autodescoberta, de questionamento e que com certeza, vai te fazer parar para pensar.




Assista ao trailer de "Os Descendentes":

sábado, 4 de fevereiro de 2012

J. Edgar



Por Caio Abreu

Acho interessante que até hoje, várias pessoas ainda não descobriram o Clint Eastwood diretor. As pessoas olham os créditos e se surpreendem ai ver Clint assinando a direção de um filme. Para quem não sabe o ator já possui 12 filmes com sua direção. J. Edgar é o 13º filme do seu currículo.


J Edgar conta a história de John Edgar Hoover, primeiro diretor do FBI (a Federal Bureau of Investigation). Hoover foi chefe do FBI por 48 anos, durante o mandato de oito presidentes diferentes. O chefão do departamento federal de investigação possuía informações comprometedoras de muitos políticos e figuras públicas dos EUA, mantendo assim seu cargo até a sua morte.



O ator Leonardo DiCaprio interpreta o temido Edgar Hoover. Fiquei surpreso pela interpretação do ator. DiCaprio impôs toda a força e a seriedade que Hoover possuía, porém ao mesmo tempo, o ator proporcionou ao público o lado íntimo do diretor do FBI que até o momento era desconhecido pelo público. O relacionamento entre J. Edgar e sua mãe, a idolatria pela figura materna ficou bem marcada. A insegurança nunca transparecida publicamente, e até mesmo a opção sexual, tudo é muito bem transmitido e detalhado através da atuação de DiCaprio. A química entre o ator e Armie Hammer (os gêmeos Winklevoss do filme A Rede Social) também merece elogios. Hammer interpreta Clyde Tolson, o vice-diretor do departamento de investigação e suposto marido de Hoover em um relacionamento castro que durou por décadas.



O Roteiro, assinado por Dustin Lance Black (roteirista do filme Milk - A Voz da Igualdade), é bom, porém, para boa parte do público, a forma como a história é contada será bem monótona e a narrativa, um pouco confusa. A direção de Clint Eastwood é precisa e séria. Muito eficiente. Com toda a experiência de Eastwood, o diretor fez um ótimo trabalho. A fotografia também deu uma escorregada na iluminação. O figurino foi muito bem escolhido, caracterizando de forma eficiente as épocas que o filme se habitua.


O roteiro de Lance Black fez questão de caracterizar bem a diferença do Hoover jovem para o Hoover já no fim de sua vida. Para que isso pudesse ficar claro para o público, as cenas são balanceadas o tempo todo entre os dois momentos. A maquiagem teve um grande trabalho nos personagens de Leonardo DiCaprio e Armie Hammer, porém exageraram demais. Já as atuações dos dois atores foram ótimas, principalmente a de Hammer.

O novo filme de Clint Eastwood é um drama um pouco arrastado, porém com uma direção eficiente e brilhantes atuações. Com interessantes informações sobre um dos homens mais poderosos que os EUA já tiveram em toda a sua história, J. Edgar é uma biografia interessante para se prestigiar no cinema.


Assista ao trailer de "J. Edgar":

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin)


Por Caio Abreu

Muitos brasileiros entortam a cara quando sabem que um filme não é norte americano. Quando o filme é europeu piora a situação, pois todos acham o filme arrastado, filosófico, etc. Se já há um certo preconceito com os próprios filmes nacionais, imagina quando uma produção iraniana dar o ar de sua graça. O interessante é que as pessoas que deram uma chance ao filme “A Separação” do diretor Asghar Farhadi, acabaram se deliciando com um longa real e sincero.

Muitos críticos de cinema ovacionaram este filme. Também não é pra pouco, o mesmo foi o primeiro da história a ganhar três Ursos no Festival de Berlim. Sem falar no Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Com a boa repercussão, o filme felizmente tomou conta de várias salas de cinema no circuito nacional.


É complicado falar da trama do filme. Escrito, produzido e dirigido por Farhadi, a tal da separação que dá nome ao longa já acontece nos primeiros cinco minutos de projeção. A partir daí, as consequências desta separação provocam todo o drama do filme. Tudo acontece porque um casal iraniano finalmente conseguiu um visto para deixar o Irã. Porém, o marido, Nader (interpretado por Peyman Moaadi), não aceita viajar com a mulher (Leila Hatami), pois seu pai, já em uma idade bastante avançada, possui Alzheimer e não há ninguém para cuidar dele. Para quem não sabe, uma mulher iraniana casada não pode viajar sem o marido, por isso ela pede o divorcio. O problema aumenta quando a esposa de Nader, Simin, pede para levar a filha do casal, Termeh, na viagem e o marido não autoriza. A separação do casal desencadeia várias consequências.


Não posso entrar em detalhes para não entregar o filme. Posso dizer que o filme vira e volta acaba parando em um tribunal, na frente de um juiz. O importante são os valores contidos no filme. Seja o pai orgulhoso demais para se redimir, a filha que busca além de tentar trazer a mãe de volta pra casa, tenta também buscar a verdade vinda do pai, a força de uma crença divina ou o respeito dos costumes de uma nação, A Separação consegue jogar vários temas em um liquidificador e misturar tudo em um turbilhão de informação fazendo com que o público seja chacoalhado em uma problemática muito difícil de ser resolvida.


Asghar Farhadi fez um brilhante trabalho em um filme que consegue quebrar as barreiras impostas por quilômetros de distância, por uma diferença cultural de vida e língua que separa as produções de países como o Irã das realizadas em países como os EUA, Canadá e Inglaterra, simplesmente filmando um drama real com toda sua essência.



Não ficarei surpreso se no dia 26 de fevereiro, Asghar Farhadi e todo o elenco tomarem conta do palco da maior premiação do cinema internacional para receber o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. A Separação, merece isso e muito mais.


Assista ao trailer de "A Separação":