Por Caio Abreu
Relutei um pouco para ir assistir ao filme de Daniel Filho. Achava que seria mais um meio de divulgação religiosa, tentando empurrar uma premissa nas cabeças dos espectadores. Estava enganado.
O filme fala do maior médium que o Brasil já teve, Francisco de Paula Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier. Tudo se passa em um programa de entrevistas e variedades da extinta TV Tupi chamado “Pinga Fogo”, nele, pela primeira vez, Xavier deu uma entrevista ao vivo, em rede nacional. Durante o período que o médium é sabatinado por jornalistas presentes no estúdio, nos é mostrado através de flashbacks o passado do mesmo.
Daniel Filho (“Se eu fosse você” 1 e 2) consegue nos mostrar com sutileza todo o passado do médium. Passamos pela história dele desde criança até a velhice. Descobrimos como foi a primeira experiência espírita que Chico teve, todas as dificuldades pela qual ele passou por ter este “dom”, seu relacionamento com a família, amigos e devotos. Mas o mais brilhante do filme foi o diretor e os atores que interpretaram Chico Xavier (foram 3: Matheus Souza quando criança, Ângelo Antônio (“2 Filhos de Francisco”) quando jovem e Nelson Xavier (“Benjamim”) na fase adulta) conseguirem desmistificar o santo, o médium, o cristão em um ser - humano. Com a bondade e humildade da personagem, conseguimos acreditar que tudo aquilo na fita realmente foi Chico Xavier. Outro ponto importante no longa é a história paralela de um casal que perde seu filho em um possível assassinato, e através de uma carta psicografada por Chico Xavier, vê todo o rumo da sua história tomar proporções diferentes.
O filme foi muito bem dirigido, possuindo ótimas cenas e atuações. Um grande elenco da televisão brasileira participa da obra de Daniel filho, nomes como: Letícia Sabatella (“Romance”), Christiane Torloni, Tony Ramos (“Se eu fosse você”), Luís Melo (“O Auto da Compadecida”), Pedro Paulo Rangel (“O Coronel e o Lobisomem”), Giulia Gam (“A Guerra dos Rocha”), Cássia Kiss (“Meu Nome Não É Johnny”), Paulo Goulart (“Tapete Vermelho”), dentre outros.
O filme vale o ingresso, é interessante para quem não conhece o espiritismo e sabe pouco sobre um brasileiro que psicografou mais de 400 livros (39 publicados vendendo mais de 50 milhões de exemplares no Brasil com traduções para mais de 10 línguas) e psicografou mais de 10 mil cartas de espíritos para seus entes terrenos.





Caio, amei o que vc expôs sobre o Chico Xavier.
ResponderExcluirEu até que gostei do filme. Só não gostei das piadinhas que eles tentaram fazer para dar um pouco de ar cômico para o filme. Tirando isso, é um filme que da pra assistir e se entreter.
ResponderExcluirAchei o filme arrastado. Mas concordo com muitas passagens do que você escreveu. Parabéns pelo blog
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