quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro"


Por Caio Abreu

Em minha opinião, é muito difícil a sequência de um filme superar as expectativas e agradar tanto os espectadores quanto o primeiro filme. “Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro” consegue superar tais expectativas e agradar muito bem o público que se dirigiu aos cinemas para ver mais uma vez, o capitão lutando contra tráfico.


Na história, se passaram 10 a 15 anos da primeira vez que vimos o Capitão Nascimento. Muita coisa aconteceu desde então, sua esposa o deixou, saindo de casa e levando o filho do casal junto. O substituto que Nascimento deixou ocupando seu lugar no BOPE não deu certo e o mesmo teve que voltar para o comando pra dar conta do recado. Sua ex-mulher agora morava com o principal inimigo público do capitão, o “Fraga”, Representante dos Direitos Humanos que ministra palestras com duras críticas ao jeito BOPE de ser.
Após um incidente em Bangu 1, onde detentos se rebelaram para matar outros detentos de facção inimiga, o então Roberto Nascimento deixa de ser Coronel do BOPE e passa a ser Subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro e o fiel parceiro de comando de Nascimento, Capitão Matias, é expulso dos Caveiras. Agora como Subsecretário, Nascimento reconhece quem realmente são seus inimigos e fará de tudo pra derrubar com o sistema.


Neste segundo longa, precisamos ficar de pé e aplaudir o brilhante roteiro de José Padilha e Bráulio Mantovani. Toda a história está muito bem amarrada. É muito fácil compreender tudo o que está se passando no roteiro. Entender toda a trama, a sujeira do sistema, a complexidade do tráfico, do dinheiro sujo nas favelas e da corrupção do governo. Tudo é bastante simples para ser compreendido pelo fato de mais uma vez o Capitão Nascimento narrar toda a história.
Mais uma vez Padilha não economizou na munição. O filme é eletrizante do começo ao filme, com muita metralhadora, perseguição de carro, pistolas e fuzis. Nada de economia também no palavreado sujo, palavrões são muito bem vindos neste longa, o que na verdade retrata bastante a realidade da comunidade e dos oficiais de polícia. Na verdade, tudo é muito realista. Tanto que o filme começa, depois de muita propaganda dos patrocinadores (e bote patrocinador nisso), com a frase “Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”.


O elenco do filme foi maravilhosamente bem escolhido. O protagonista do filme, Coronel Nascimento, é brilhantemente interpretado por Wagner Moura. O ator consegue traduzir para o público de modo muito simples e eficaz, todo o sentimento que seu personagem passa durante todo o longa. E garanto a vocês, são muitos. A atuação de Moura é digna de premiação. Seu Jorge faz uma rápida participação emprestando seu corpo ao chefe da rebelião no Bangu 1. André Ramiro perdeu muita cena na continuação de Tropa 1. Neste ele aparece muito pouco, mas é peça importante no quebra-cabeça e exerce bem seu papel nos curtos momentos que atua. Irandhir Santos foi uma excelente escolha para viver o ativista e depois Deputado Fraga. O ator faz com que seu personagem esteja a altura de ser um bom rival ao personagem de Wagner Moura. Milhem Cortaz, volta a atuar no papel do corrupto “Coronel Fábio” e é responsável por trazer o lado cômico para a telona. Sandro Rocha recebe um papel importante na história como corrupto e impiedoso líder das Milícias. André Mattos dá um show de interpretação dando a vida a um apresentador de televisão de programa sensacionalista como os que passam na rede Record. É até uma sátira dos programas atuais. Por sinal, o filme é cheio de sátiras. Padilha soube brincar e alfinetar muito bem vários temas atuais e de grande proporção da história política do Brasil e do mundo.
Infelizmente (ou felizmente), as frases de impacto não surtiram efeito como no primeiro filme. Até hoje o “Pede pra sair” está na boca o povo. Desta vez, os "Cada cachorro que lamba a sua caceta", "Tá de pombagirice?”, dentre outros não colaram.


A movimentação de câmera é genial, tornou o filme mais eletrizante ainda com uma dinamicidade impar. Podemos ver a mesma cena de vários ângulos diferentes sem nos deixar tontos. Temos a visão dos personagens como ângulos centrais. Outro ponto que com certeza foi muito bem trabalhado é a fotografia do filme. Sobre a trilha sonora, tivemos novamente a música “Tropa de Elite” da banda Tihuana abrindo o longa e outra que vale o destaque é “O Calibre” da banda Os Paralamas do Sucesso que encerra com os créditos finais.


O filme está muito bom, com certeza o melhor longa nacional do ano até o momento. Orçado em torno de 9 milhões de reais, “Tropa de Elite 2” vem batendo recordes desde a sua estréia. No seu primeiro fim de semana em cartaz, o longa arrebatou cerca de 1,25 milhão de espectadores. Mais de 6,2 milhões de espectadores já assistiram ao filme.

Veja o Trailer do Filme:




Em minha opinião o explosivo “Tropa de Elite 2” de José Padilha merece 10/10 Estrelas.


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5 comentários:

  1. Ai, o filme é muito bom mesmo.
    Não é toda essa perfeição toda que as pessoas estão dizendo mas é bom.
    Gostei do que vc escreveu

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  2. Gostei muito do seu blog. Um amigo recomendou. Vô passar a ler toda semana

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  3. Interessante o seu olhar cinematográfico. É difícil ler críticas tão diretas e simples. Todas são muito rebuscadas, cheias de termos técnicos. Gostei bastante. Você deveria divulgar mais seu blog e investir nesse ramo. Você tem futuro, um olhar muito bom. Parabéns pelo blog e pela crítica.

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  4. Gostei muito da sua crítica. Tu só devia elogiar mais o filme.

    Abs

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  5. "Infelizmente (ou felizmente), as frases de impacto não surtiram efeito como no primeiro filme. Até hoje o “Pede pra sair” está na boca o povo. Desta vez, os "Cada cachorro que lamba a sua caceta", "Tá de pombagirice?”, dentre outros não colaram."

    tem certeza?!

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